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Tire suas Dúvidas com Max Gehringer

4 de novembro de 2009 Deixe um comentário Go to comments

maxSou fã do Max (com exceção do quadro Reunião de Condomínios…) por isso, vou postar algumas matérias dele que tenham a ver com o nosso mundo corporativo.

A primeira é sobre a fluência do inglês, e a segunda sobre contratação nível médio/superior.

Dúvida 1: Tenho uma dúvida sobre currículo. Acredito que possuo suficiente conhecimento de inglês e espanhol para colocar em meu currículo “Inglês Básico” e “Espanhol Básico”. Mas como posso saber se isso é verdade? Sendo otimista, talvez eu até pudesse colocar “avançado”, ou mesmo “fluente”. Sendo pessimista, resolvi perguntar antes.

Sua pergunta é muito pertinente.  Já vi muito candidato escrever esse “fluente” por ter concluído um curso avançado e, na hora de uma entrevista, pagar um mico. Na prática, existem duas categorias: o básico e o fluente. O básico permite compreender o sentido de um texto ou de uma conversa, mesmo sem entender mais de metade das palavras. Esse é o inglês ensinado em escolas. Por isso, quem conclui um curso avançado continua, para efeito de empresas, tendo o inglês básico. Já a fluência é a que se adquire falando continuamente outra língua. Dois anos no exterior já dão fluência.

Para saber se seu nível de inglês é bom, tente pronunciar cinco palavras: tough, though, thought, through e thorough 

A questão, mesmo, não é entre o básico e o fluente. É entre o básico e outra palavrinha que costuma aparecer em currículos: “noções”. Para quem avalia um currículo, “noções de inglês” significa “preciso aprender inglês”. Aqui vai um teste prático. Uma pessoa que tem “noções” não consegue pronunciar estas cinco palavras: tough, though, thought, through e thorough. Como elas são escritas de maneira bem semelhante, dá a impressão de que a pronúncia é parecida. Na verdade, os sons são muito diferentes (Táf. Dhôu. Thót. Thru. Dhôrou). Alguém que saiba não apenas pronunciá-las, mas o que significam, sem recorrer ao dicionário, tem inglês básico. A mesma coisa acontece com o espanhol, mas com uma diferença: nós, brasileiros, pensamos que sabemos falar espanhol. A semelhança entre as duas línguas é muito grande. Por isso, são frases como “Traje una pantalla” que separam quem pensa que sabe de quem sabe.

(Esse é um comentário meu: li em uma reportagem que vc pode avaliar se seu inglês é fluente ou avançado da seguinte forma: “Básico (pouca leitura e pouca escrita, sem conversação); Intermediário (leitura e escrita regulares, conversação com dificuldades); Avançado (boa leitura, boa escrita, conversação sem dificuldades); e Fluente (domínio do idioma)”. Ou seja, só coloque fluente se você tiver conhecimentos de fato excelentes da língua.)

Dúvida 2: Por que empresas contratam candidatos de nível superior para funções de nível médio? Essa é uma distorção temporária ou permanente?

Permanente. Pelo menos nas grandes empresas. Quando uma delas abre uma vaga que requer o nível médio e aparecem dezenas de candidatos com nível superior, dispostos a receber um salário equivalente ao nível médio, a empresa faz o óbvio: contrata os superqualificados.

Imagine que você vá a um supermercado para comprar bananas. E descubra que uma geléia de banana importada da Inglaterra custa o mesmo preço que meia dúzia de bananas. É evidente que a geléia vale muito mais. A geléia importada é, assim, uma banana com MBA. Aí, um consumidor normal pensaria: “Eu sempre vou poder comprar bananas, mas não sei se vou voltar a encontrar geléia importada a esse preço”. E compra a geléia. As empresas estão fazendo a mesma coisa: contratando funcionários com superqualificação a preço de banana.

São as empresas públicas brasileiras que estão fazendo o que devem: num concurso, se o nível exigido para o cargo é o médio, o pré-requisito para inscrição é o nível médio. E não o superior. Por isso, para quem tem nível médio, prestar um concurso público é muito mais interessante que encarar a fila de candidatos em uma empresa privada.

Por Max Gehringer

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  1. Washington Nobre .
    10 de fevereiro de 2011 às 7:48 PM

    Venho aqui fazer uma crítica e tirar algumas dúvidas sobre ao Tecnólogo. Fala-se que o PROBLEMA dos cursos de nível tecnológico é que eles são curtos. Então gostaria de entender porque o tempo foi considerado um problema, pois nos EUA e na Europa, há mais graduados de cursos de 2 anos (ou menos) que de 4 anos. Argentina, Chile e Venezuela têm cerca de um terço de seus graduados em cursos curtos. Pesquisas feitas nos EUA mostraram que 20% dos novos empregos requerem ensino superior, embora a oferta de graduados seja de 28%. Em contraste, 65% das ocupações exigem cursos curtos, apesar de somente 32% dos estudantes chegarem ao mercado com essa formação. Em outras palavras, o mercado mais dinâmico é o das formações curtas, não o das tradicionais, de 4 anos. Qualidade não é diretamente proporcional ao tempo de estudo. Cada carreira requer certas competências, e o tempo que leva para adquiri-las não tem por que ser igual, muito menos quatro anos. Vejo muitos vídeos postados mostrando a falta de mão de obra. Os Institutos Federais formam profissionais de altíssimo nível e não estão sendo bem aproveitados. Não entendo essa rejeição e o atraso do Brasil em relação aos Tecnólogos. A verdade é que no Brasil o Engenheiro estar sendo subutilizado, pois um cargo os cargos que os Engenheiros assumem são verdadeiramente funções que um Tecnólogo da área de exatas poderia fazer. O preconceito é enorme. A Petrobrás deixa bem claro em seus editais que não aceita Tecnólogos. Como é que um país quer mão de obra especializada e de qualidade se as estatais e as empresas nem se quer dão oportunidades para esse profissional? O governo para superar o atraso de meio século nesta área, fez a abertura a esse segmento de cursos. Sobram funções nas empresas que não são adequadamente preenchidas por falta de profissionais qualificados. Por esse aspecto, os cursos de tecnologia atendem ao citado clamor empresarial por especialistas mais bem qualificados. Ninguém quer chegar ao ponto de defender que se crie um país só de tecnólogos. Precisamos de médicos, engenheiros, pesquisadores em ciência pura e aplicada, de acadêmicos que se dediquem ao rico processo de inovação científico-tecnológica, e são necessários também dos tecnólogos. A seu ver, empresas que abrem vagas para tecnólogos ganham em produtividade, melhoria nos processos e aumento de sua competitividade. Somente empresas que investem em pessoas qualificadas mostram ganhos significativos. O custo pode até parecer maior, mas o retorno é correspondente. Mas as conquistas não são tranqüilas e definitivas. Há ameaças de vários lados. Umas por conservadorismo, outras para preservar reservas de mercado. Algumas associações de classe tentam defender seus feudos no tapetão da lei. Outros sonham nostalgicamente com uma universidade de pesquisa para todos, como se em algum país fosse assim. Para esses, oferecer diplomas ao cabo de dois anos é abastardar o ensino superior, sacrilégio imperdoável.

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